Que possamos desfrutar de dias tranquilos e enriquecedores.
leonardo.
Que possamos desfrutar de dias tranquilos e enriquecedores.
leonardo.
‘Tenho passado um bom tempo pensando, pensando e pensando. Tem sido uma constante introspecção. Tenho reavaliado muitas coisas de minha vida – para não dizer ela em si.
Talvez eu esteja em uma crise de identidade… talvez.
Ou seja mesmo apenas uma dúvida quanto às minhas escolhas, acredito que deva ser normal em determinada fase de sua vida se perguntar “será que fiz as escolhas certas?”. E deparar-se diante uma grande responsabilidade também é algo bem assustador – digo, ao ponto de mexer com as estruturas internas, se você não está preparado para tal coisa – voltando, então, para as questões quanto uma possível crise de identidade, ou dúvidas quanto as escolhas…
Seria mais fácil, resumindo, dizer que estou chato. Sim. Estou chato, calado, apático e este é um dos grandes motivos de minha ausência aqui. Tenho receio de meus posts transparecerem toda esta confusão… mais de todo o mais, torço para que tudo não passe de uma neurose e assim sendo, os posts, e meus dias de confiança, voltem a reinar.
leonardo.
Até o momento em que T foi embora e voltei para casa parecia que a visão de meu pai na porta não passara de uma mera miragem. Não trocamos palavras sobre o assunto, apenas nos despedimos e dissemos que nos falávamos pela manhã.
No dia seguinte, acordei e tudo estava normal, como todas as manhãs de segundas, exceto por meu pai, que não olhava para mim, e evitava ficar no mesmo lugar que eu. Me contive e apenas respeitei sua atitude, fui para a garagem e esperei por minha mãe. No caminho para a faculdade contei-lhe o ocorrido, e ela, por sua vez, disse que meu pai havia lhe dito que havia uma coisa muito séria acontecendo dentro de casa, e que ele esperava que aquilo se resolvesse logo.
A questão é que ele até hoje não se importou em perguntar alguma coisa, e de minha parte não houve nenhuma vontade de procurá-lo. Vivemos aqui como se fosse uma república, onde não somos obrigados a conversar, apenas compartilhamos o mesmo teto. Por um lado esperava uma reação assim dele, mais por outro lado trazia esperanças de que ele não o fizesse dessa maneira.
Meu aniversário passou e ele não disse nem um parabéns.
Se por um lado tudo isso é complicado e machuca, por outro sinto-me aliviado, por finalmente não ter que esconder quem sou, esta é a verdade, espero que um dia ele consiga entender que isto é indiferente ao que tange meu caráter.
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Obrigado a todos os comentários, e por se preocuparem! Me desculpem a demora, mais está tudo bem. Apenas foram umas semanas complicadas…
leonardo.
Quando me descobri gay não entendia toda essa confusão que os adultos criaram acerca do assunto – eu era apenas um adolescente que estava entrando em contato com um mundo completamente novo. Nova escola, mudanças físicas, sociais -, foi ao longo da vivência com os colegas de classe que percebi que para alguns, gostar de alguém do mesmo sexo era algo inadmissível, uma vergonha, motivo de piada, e para outros, pecado.
Sempre me mantive recluso, de fora, apenas observando a visão de mundo dos outros quanto aos homossexuais.
Dentro de casa é que morava uma das piores realidades – ao menos naquela época – onde as agressões físicas eram, na certa, um comportamento advindo dos pais ao descobrirem sobre sua orientação sexual.
Talvez esta tenha sido a realidade mais perturbadora para mim, pois onde morei não havia agressões vinda de pessoas estranhas. O que se observava eram apenas sussurros na presença de alguns homossexuais “assumidos”.
Por meu pai sempre ter sido rígido comigo cresci com a ideia de que nunca poderia chegar ao seu conhecimento sobre minha opção sexual. E assim foi passando os anos.
Demorei ter contato com o mundo gay propriamente dito, passei praticamente minha adolescência em casa, pois onde morava não havia lugares que despertavam meu interesse. Quando me mudei para esta cidade onde estou atualmente que comecei a frequentar algumas boates ou barzinhos – gay-friendlys ou não -, foi esta mudança de cidade onde tive uma liberdade, grande parte devido ao meu carro e as amizades. Porém minha questão da sexualidade continuava guardada do conhecimento de meu pai e minha família – agora não pelas maneiras rígidas dele, mais sim pelos ideais que adquiri ao longo de minha curta existência.
Mas tudo mudou neste último domingo. Estava eu e T, meu amigo/possível namorado, assistindo ao Oscar na sala de estar da minha casa. Meu pai havia chegado de viagem pouco antes do início do programa e havia ido dormir, e estávamos “tranquilos”, por entre um intervalo e outro nos beijávamos.
Assim continuamos, até que a porta se abriu, neste momento estávamos abraçados e nos beijando, e no batente dela a figura do meu pai ficou imóvel, nada mais que 10 segundos. O tempo necessário para nos soltarmos e a porta se fechar.
Continua.
leonardo.