Arquivo para novembro \30\UTC 2015

Fechei os olhos.

Mesmo com o mormaço lá fora, dentro de mim eu conseguia sentir o vento gélido e ouvir o som das ondas quebrando.

Aquele desejo que eu sempre tive, tão vívido em minha infância. O sentimento de não pertencimento, agora entendido. Demorou anos. Vinte e quatro, para ser mais específico. Mas ali estava eu. Inteiro.

Tão fácil. Tão difícil.

Tão leve. Tão pesado.

Escolhas. Decisões.

Na vida há sempre o A e o B. Isso não é fácil para mim. Tomar essas decisões. Parece que sempre deixei algo muito importante de lado. Sempre tive medo de uma decisão ser errônea, e eventualmente perder oportunidades. Resultado: perdi muitas oportunidades.

Talvez quando eu abrir os olhos eu tenha mais forças. Talvez agora que algo está mais claro – e específico -, eu tenha mais coragem. Talvez essa seja a solução. Encontrar a coragem. Ou deixar de lado o medo de viver. De qualquer forma, começarei por tomar uma decisão. E bá, eu acho que sei muito bem qual vai ser ela.

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Algumas horas depois do encontro

 M A N H Ã

Era o dia perfeito para o final de novembro. Chovia e a temperatura estava amena.

A noite de sono havia sido boa, não fosse por um pequeno deslize durante a madrugada, resultando em um encontro de seu nariz com a parede.

Seria uma boa sexta-feira, pensou ele enquanto olhava para o céu.

 T A R D E

A chuva havia dado uma trégua para o sol, e o céu exibia cores tristes amareladas. As árvores ainda com as remanescentes gotas, e o som dos carros em movimento. Ele olhou para esse cenário. Havia algumas pessoas andando na mesma calçada em que ali se encontrava, mas elas continuavam absortas em seu mundo.

Passado alguns minutos, se encontrou com seus pais, e juntos compartilharam um almoço, não tão delicioso, em um tampouco lugar prazeroso. Despediram-se. Sua mãe continuou fazendo-lhe companhia. Foram para um passeio. Os dois, à sós, como nos velhos tempos, de circulares suburbanas durante o período chuvoso.

O ambiente dessa vez era outro. A tranquilidade de um veículo. O conforto de bancos de couro. O som estéreo tocando música que conforta.

Chegaram em seu destino, os dois, com euforia, e nostalgia. O veículo fora estacionado, e subiram a escada rolante. A música natalina já podia ser ouvida ao fundo, e pessoas apressadas andavam pelos corredores. Logo, os dois se juntaram a essas pessoas, e então eram pertencentes ao mundo.

A cafeteria da sereia de duas caldas se apresentou logo para os dois, que adentraram ao som de Nina Simone, e lá ele o viu, com seu chá gelado, de polo amarela, e seu mesmo olhar. Esse olhar que o encarou por quatro segundos, e depois encontrou no chão o seu refúgio, até que se retirasse do local.

Ele olhou para sua mãe, e com palavras sem nexo, desculpou-se para sentar-se. Sua mente não lhe obedecia, nem seu corpo.

N O I T E

Ele estava deitado, e a claridade do céu cinza lameado o deixou nauseado. Fechou a janela.

O silêncio da casa só para si o deixava mais confuso. Mais atormentado por seus pensamentos.

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Leo. O dono dos pensamentos aqui depositados.

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