Arquivo para 28 de dezembro de 2015

Meninas da cidade cantam sobre

É pungente essa solidão que me cerca. Cada pôr do sol é um lembrete. Eagles também deixa o recado no som estéreo, e como dói.

Um dia desses assistia a uma reportagem na televisão, o programa, que busca pessoas aleatórias em seus embarques e desembarques no principal aeroporto do país, entrevistava um casal. O homem contou que esperava seu irmão que vinha da Austrália para o enterro da mãe. Ele descreveu de forma emotiva a convivência com ela, e como havia sido estranho naquela mesma manhã tomar café. Disse ele que todas as manhãs ele e sua mãe compartilhavam aquele momento. Um café e um diálogo.

Esse voyeurismo levou-me a uma realidade que me cerca: o medo de perder minha mãe. E não digo somente no sentido fatal, mas de perder esses momentos. Esses pequenos momentos que criam memórias.

A solidão que me acompanha, com esse medo de perder alguém tão importante, tem resultado em comportamentos reclusos, marginalizados e obscuros – algumas vezes -. Fico impotente diante do agora e do amanhã, e sei que não deveria. Mas tudo o que eu desejo é guardar esse tempo, esse laço que tenho com minha mãe, em um local seguro de qualquer ameaça, e poder viver da forma pura e bela, assim como aquele homem tinha com sua mãe dividindo um café pela manhã. Não estou pronto para um adeus. Nem mesmo que seja um adeus de quilômetros.

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Leo. O dono dos pensamentos aqui depositados.

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